Superaquecimento de cabos elétricos em instalações

No artigo anterior do blog da Normalize, explicamos a importância das normas técnicas e como elas são elaboradas, revisadas e estruturadas ao longo do tempo. Agora, vamos avançar para uma aplicação prática: entender como o cumprimento dessas normas técnicas é determinante para prevenir o superaquecimento de cabos elétricos e, consequentemente, reduzir o risco de incêndios.

O superaquecimento de cabos elétricos não é um problema raro ou hipotético. Na prática, ele está diretamente ligado a falhas de projeto, execução e manutenção das instalações elétricas e, como consequência, seus efeitos podem ser graves.

Instalações elétricas e incêndios: dados que não podem ser ignorados

As instalações elétricas figuram entre as principais causas de incêndios no Brasil. De acordo com estudos da Associação Brasileira de Proteção Contra Incêndios, cerca de um quarto dos incêndios estruturais têm origem em falhas elétricas. Além disso, análises do Corpo de Bombeiros de São Paulo mostram que, em edifícios verticais, a maioria das ocorrências elétricas está associada à sobrecarga de circuitos e à degradação da isolação.

Esses dois fatores têm um ponto em comum: o superaquecimento de cabos elétricos.

Quando a corrente elétrica circula acima da capacidade adequada ou quando as condições de dissipação térmica não são corretamente consideradas, ocorre uma elevação progressiva de temperatura. Como resultado, esse aumento térmico compromete a isolação dos condutores, bem como reduzir sua vida útil e elevar significativamente o risco de falhas elétricas.

O superaquecimento de cabos elétricos é, portanto, um processo gradual, silencioso e cumulativo — e justamente por isso perigoso.

Como o superaquecimento de cabos elétricos se desenvolve

Em inspeções técnicas e auditorias, é comum identificar situações que favorecem o superaquecimento de cabos elétricos. Três falhas aparecem com frequência:

– ausência de aplicação do fator de agrupamento;

– subestimação das condições de ventilação da bandeja;

– corrente do circuito acima da capacidade de condução permitida para o método de instalação.

Quando o fator de agrupamento não é considerado, na prática, ignora-se que cabos instalados próximos uns aos outros dissipam menos calor. Ademais, se a ventilação é inadequada, o calor gerado tende a permanecer acumulado. Por fim, quando a corrente supera a capacidade prevista para aquele método de instalação, cria-se uma condição permanente de estresse térmico

A combinação desses fatores resulta diretamente no superaquecimento de cabos elétricos e acelera a degradação da isolação.

Não se trata de uma falha pontual, mas de uma cadeia de decisões técnicas que desconsideram critérios normativos.

O papel da NBR 5410 na prevenção do superaquecimento

A NBR 5410 estabelece critérios que atuam diretamente na prevenção do superaquecimento de cabos elétricos. Entre os pontos abordados, três são especialmente relevantes.

Método de instalação

Cada forma de acomodação dos condutores — como bandeja, eletroduto, perfilado ou instalação subterrânea — possui uma capacidade de corrente permitida própria. Por isso, a norma apresenta tabelas específicas para essas condições.

O método de instalação influencia diretamente a dissipação de calor e, consequentemente, o risco de superaquecimento de cabos elétricos.

Fator de correção por agrupamento

Cabos agrupados reduzem a dissipação térmica. Por isso, a norma exige a aplicação de fatores de correção que podem reduzir a capacidade de corrente em 20%, 40% ou até mais.

Ao não aplicar esse fator, o projeto considera uma capacidade que não corresponde à condição real da instalação, favorecendo o superaquecimento de cabos elétricos.

Temperatura ambiente e ventilação

Ambientes com temperatura elevada diminuem a capacidade do cabo de conduzir corrente com segurança. A norma traz tabelas para ajustar a corrente máxima conforme temperatura ambiente e condição de instalação.

Ignorar esse ajuste significa aumentar a probabilidade de superaquecimento de cabos elétricos, especialmente em ambientes confinados ou pouco ventilados.

Esses critérios não são recomendações facultativas. São requisitos de segurança.

Norma técnica não é burocracia: é gestão de risco

Quando o superaquecimento de cabos elétricos ocorre, ele é consequência de parâmetros técnicos mal avaliados ou ignorados. As normas técnicas existem justamente para antecipar essas condições e estabelecer limites seguros.

O cumprimento dos critérios de método de instalação, agrupamento e temperatura ambiente não é formalidade. É uma medida objetiva de prevenção contra falhas elétricas e incêndios.

O superaquecimento de cabos elétricos é apenas um exemplo de como decisões aparentemente simples impactam diretamente a segurança das edificações.

No fim, norma técnica não é burocracia. É segurança aplicada antes que o problema apareça.

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Kiko Salau

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